COMO PREPARAR UM CURRÍCULO CAMPEÃO

COMO PREPARAR UM CURRÍCULO CAMPEÃO

Você sabe o que escrever num currículo para que ele chame a atenção de quem quer contratar um bom empregado? O consultor de carreiras Max Gehringer vai revelar os segredos.

 

Vamos começar dizendo o que um currículo não é. Um currículo não é uma autobiografia. Não adianta ficar enchendo páginas e mais páginas para tentar impressionar. Em um currículo, tamanho não é documento. Conteúdo é que é.

"Meu nome é Ângelo. Eu iniciei na área de Recursos Humanos com 14 anos. Saí do emprego há uns 20 dias. Estou à procura de uma nova oportunidade”, diz o técnico em administração de empresas Ângelo Aparecido da Conceição.

Um currículo é uma lista da história escolar e profissional de um candidato a emprego. Uma breve lista, de uma página.

“Esse aqui a gente entrega em todos os lugares. É o famoso ‘atira para tudo quanto é lado’”, mostra o operador de telemarketing Saulo Resende.

Nós hoje vamos analisar dois currículos e tentar encontrar maneiras de torná-los mais atrativos. Nós temos dois convidados: Saulo e Ângelo.

Primeiro, a idade deve ser colocada. Se uma empresa já decidiu que não quer contratar alguém acima ou abaixo de uma determinada idade, é melhor que o candidato nem seja chamado, para não perder nem o tempo dele, nem o tempo da empresa.

O currículo de Ângelo se compõe de três páginas. Junto, ele manda uma carta de apresentação. "Minha primeira impressão é que ele, como profissional de recursos humanos, acharia esse currículo um pouco exagerado”, opina Max Gehringer.

Saulo tem dois currículos: um de duas páginas e outro de uma página. Por que exatamente ele decidiu fazer dois currículos?

“O currículo mais resumido seria para ser entregue nas agências do dia-a-dia. O outro currículo seria para ser entregue já na mão do entrevistador”, explica Saulo.

“É uma medida inteligente. Eu diria que esse (com uma página) tem uma chance muito grande de ser lido. Quando você entrega o outro, com duas páginas e letrinha pequena, ele tem uma chance muito pequena de ser lido”, compara Max.

Liste as empresas da mais recente para a mais antiga, as datas de entrada e de saída e as funções que desempenhou.

“Saulo faz uma breve descrição de cada uma das coisas que fez. Ele foi operador de 'tele retenção – encerramento de conta-corrente, onde era necessária a argumentação com o correntista, na tentativa de mantê-lo'. Não tenho nem idéia do que ele está querendo dizer nessa frase”, aponta Max.

Você começa a ler uma revista. Na segunda linha, você não está entendendo nada. Você volta para o começo e tenta entender ou você vira a página da revista?

“Eu volto para o começo e tento entender novamente”, diz Saulo.

“Eu viro a página da revista. E acho que a maioria das pessoas faz exatamente o que eu faço”, responde Max.

Você deve colocar a pretensão salarial? Não. Isso será discutido numa entrevista. Agora, liste os cursos que você fez. O interessante é pôr quantas horas eles duraram.

“Dois cursos foram de semanas”, responde Ângelo, que não enfatizou isso.

"Eu poderia entender, avaliando o currículo, que foi um curso de sábado de manhã. Das 8h às 11h, com duas horas de intervalo para cafezinho”, diz Max Gehringer.

Agora, os idiomas.

Saulo conta que "arranha" no inglês. “Por isso que eu nem salientei muito, para não soar meio falso”, justifica.

“Parabéns. Ele usou a palavra 'básico': 'Meu inglês é muito básico'. Dizendo: 'É muito ruim'. É melhor não colocar, para não correr o risco de alguém dizer ‘Muito bem’ e fazer uma pergunta em inglês. Aí, o entrevistado dá aquela travada”, ressalta Max.

“Erro de português é a pior coisa que pode acontecer num currículo”, alerta o diretor de recursos humanos Adriano Arruda.

O candidato deve sempre pedir para alguém dar uma revisada no currículo, para não correr o risco de uma palavrinha passar uma impressão errada.

Para que o currículo seja lido, é preciso que ele chame a atenção de quem vai ler. Mas como?

"Outra coisa importantíssima em currículo. Nem todo mundo que vai ler o currículo é jovem. Se puder, aumente um pouco o tamanho da letra", aconselha Max Gehringer.

Outra coisa, antes de terminar: uma carta pessoal é um bom atrativo – uma carta bem simples, de um parágrafo.

Seria sempre bom o candidato dizer alguma coisa da experiência dele que tem a ver com aquela empresa. Por exemplo: se for um banco, porque a família tem conta nele faz 28 anos. Se não for nada disso, porque o nome daquela empresa foi a primeira palavra que ele aprendeu a pronunciar, antes mesmo de dizer "mamãe".

“Eu reavaliei muitos pontos do meu currículo”, diz Ângelo.

“Mais uma revisada e Ângelo vai ter, provavelmente, um currículo de uma página, uma página e meia, com todas as informações num formato gostoso de ler”, garante Max. “Eu acho que daqui a algum tempo a gente volta a conversar, se Deus quiser, e vê os resultados que tudo isso deu”.

"Mesmo que você esteja trabalhando, feliz com seu trabalho, mantenha seu currículo sempre revisado e sempre muito bom, porque você nunca sabe quando uma nova oportunidade vai surgir e você vai encontrar o emprego da sua vida", diz Adriano Arruda.

A chance de você ser chamado para uma entrevista, é claro, não vai ser de 100%. Mas ela será muito maior do que se você simplesmente mandar um currículo igualzinho a tantos outros.